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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

A Lei de Deus - Reflexão das deituras dos dias 1 e 2/09/12



A Liturgia nos convida a refletir sobre o sentido da "LEI".
Deus quer a realização e a vida plena para o homem e,
nesse sentido, propõe a sua "Lei" e
o modo como ela deve ser observada.

Na 1a Leitura, o Povo de Deus recebe a LEI. (Dt 4,1-2.6-8)

No final da vida, antes de entrar na Terra Prometida,
MOISÉS deixa um "testamento Espiritual": A LEI proposta por Deus.

A LEI DE DEUS é sagrada, não pode ser alterada...
- A "Lei" de Deus representa uma Sabedoria desconhecida pelos outros povos,
um meio de viver a Aliança com Deus, e assim chegar à Terra Prometida...
- A Observância da Lei será uma Resposta de gratidão a esse Deus libertador, que muitas vezes no passado agiu para salvar o seu Povo.
- A "Lei" de Deus é um Caminho seguro para a felicidade e a vida plena.
Os Mandamentos são sinal da proximidade de Deus com seu povo e
da fidelidade de Israel com o seu Deus.
Por isso, recomenda ao povo, que acolha a Lei e se deixe guiar por ela.

* O judaísmo sempre deu grande destaque à Lei,
mas, muitas vezes, de sinal de Aliança e de Liberdade,
tornou-se um "jugo" insuportável.

Na 2a leitura: SÃO TIAGO lembra:
"Sede CUMPRIDORES da Palavra, e não apenas ouvintes" (Tg 1,17-18.21-22.27)

* A Palavra de Deus devemos acolher e por em prática...
A Verdadeira Religião não consiste apenas no cumprimento de ritos
e na fidelidade a certas práticas de piedade,
mas na dedicação em favor dos necessitados ("órfãos e viúvas"),
no compromisso por um mundo mais fraterno e cristão.

No Evangelho, temos a atitude de CRISTO diante da LEI. (Mc 7,1-8.14-15.21-23)

Retomamos o Evangelho de Marcos...
- Os fariseus, que tramavam contra a vida de Cristo,
eram profundamente exigentes na observância externa das leis
e se escandalizaram porque os apóstolos não faziam antes de comer
os ritos de "purificação", prescritos por "preceitos humanos"...

- Cristo denuncia esse espírito mesquinho:
  "Hipócritas... Abandonais o Mandamento de Deus,
   apegando-vos à tradição dos homens"

* Na VERDADEIRA RELIGIÃO, não basta apenas
a observância externa da Lei e das "tradições humanas",
precisa também uma autêntica conversão do coração.
Deus olha o interior das pessoas e não as práticas exteriores e formais.
- O texto reflete também a situação vivida pela Comunidade de Marcos,
com relação às leis e tradições judaicas,
que deviam ser abandonadas diante da novidade do cristianismo.
A fidelidade à tradição não deve impedir a justa renovação.

+ A LEI: um CAMINHO, não um fim.

- A "Lei" tem o seu lugar numa experiência religiosa,
enquanto sinal indicador de um caminho a percorrer,
é um meio para chegar mais além no compromisso com Deus e com os irmãos.
- A verdadeira religião não se resume no cumprimento formal das "leis",
mas num processo de conversão que leve o homem à comunhão com Deus
e a viver numa real partilha de amor com os irmãos.
Nesse processo, as "leis" são apenas um caminho, não um fim absoluto...
* Ainda hoje pode haver uma maneira farisaica de agir,
resistindo a todos os anseios sérios de renovação.
Uma exagerada fidelidade à tradição pode abafar a fidelidade ao Espírito,
que é dinâmica, não passiva, missionária e não fechada em si mesma.

+ A Lei o que é para nós?

- Um TABU... um estraga prazeres, que toleramos com dificuldade...
- Ou um CAMINHO, no qual percorremos com alegria,
  porque sabemos para onde nos conduz com segurança?

- Nos contentamos apenas com a PRÁTICA EXTERNA,
  uma religião de tradição, talvez para salvar as aparências?
- Ou procuramos ter sempre um coração puro e
  disponível à voz de Deus e à voz de nossa consciência?
- Temos um coração aberto às renovações justas,
  sabendo distinguir a Lei de Deus e as Tradições, o Perene e o Transitório?

Cristo veio para nos libertar de uma religião exterior,
e nos levar a uma religião interior... "em espírito e verdade..."

E Nós? 
- Praticamos uma Religião como a dos fariseus,
  perfeita nas expressões externas, mas vazia por dentro?
- ou a verdadeira religião proposta por Jesus,
  onde os ritos têm o seu lugar, mas como expressão
  dum verdadeiro compromisso com o Reino de Deus?

Aos fariseus de hoje, Cristo continua denunciando:
"Este povo me honra com os lábios, mas o coração deles está longe de mim!"

Com o Tema: Discípulos Missionários a partir do Evangelho de Marcos,
a Igreja no Brasil, no MÊS DA BÍBLIA nos propõe,
"uma experiência mais profunda da fé, possibilitando um encontro pessoal
com Jesus Cristo vivo e, por ele, com o Pai, no Espírito Santo."


                                    Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa

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